Essa carta é a prova do quão covarde eu sou, mas mostra ainda que existe algo de intenso aqui dentro: uma parte de mim que necessita de um rumo, de uma enxurrada de lágrimas e de um rabisco que acabe com tudo. Se eu tivesse coragem, falaria. Se eu fosse prática, sumiria da sua vida. Não sou.
Ontem a noite eu te olhava enquanto você dormia e então pensei: isso é bastante grave. Eu não sei se o que acontece entre nós dois permite esse tipo de reação, mas está me acontecendo e eu não pude evitar. Senti, ontem a noite, medo de perder o controle da situação. Mas quando se tem medo de perder o controle da situação é porque já não se tem mais controle algum, não é?
Então, saiba: eu estou saindo da sua vida, mas faço questão de me despedir. É meu jeito de te dizer que você teve uma importância grave o suficiente para me fazer sentir medo. Essa carta é ainda a prova de que minha maior angústia são os sentimentos que ficam guardados. E de te dizer assim, calada, orgulhosa, desesperada, desamparada, que se há algo em você que possa mudar isso tudo, por favor: faça logo.
(Eu ontem comentei com um amigo: 'não canso de ler a carta para Karen' e ele disse 'faça a sua'. Pois.)
(Eu ontem comentei com um amigo: 'não canso de ler a carta para Karen' e ele disse 'faça a sua'. Pois.)
